O aluno deixa de ser o receptor de conhecimento apenas para ser também co-autor, ou seja, criador do próprio processo de aprendizagem. Ele poderá potencializar conteúdos através de chats, fórum, blog, entre outros.
Computadores e internet na escola, por si sós, não garantem a inclusão dos alunos e professores nesta cibercultura. Para que a interação aconteça, deve haver uma mudança de posicionamento do professor, que passará de transmissor para co-produtor das atividades que induzam ao conhecimento, pois agora neste ambiente todos podem participar, organizar e modificar a estrutura da mensagem.
Sem duvida, este é um caminho que não tem volta. Alguns professores podem relutar por mais tempo, mas este novo espaço virtual entrará em nossas vidas, socializando e informando. Para isso, nós futuros professores temos que adquirir e nos apropriar desse conhecimento com antecedência, pois neste novo contexto, deveremos modificar a nossa visão, nossa perspectiva e nossa conduta ao expressar o conhecimento.
A função do professor está mudando e ele será um formulador de problemas, um provocador de interrogações e um coordenador de equipes de trabalho que sistematizará as experiências e será memória uma viva de uma educação que valoriza e torna possível o diálogo e a colaboração de todos.
Este mês, ao chegar à escola onde atuo para lecionar, ao entrar em sala de aula me deparei com algo que muito me incomodou: O governo está informatizando as salas de aulas das escolas estaduais, entretanto os computadores estão desligados e cobertos de poeira, sem capas e os seus periféricos sumindo a casa semana. Ninguém sabe ninguém viu como sumiu. A sala de informática é perfeita, mas os professores não podem utilizar, pois a noite não há um responsável para abrir a sala. A sala de vídeo idem. E quando conseguimos agendar, a direção esquece-se de deixar a chave. Como o professor poderá utilizar a informática sem acesso ao mesmo. O que tenho observado em vários espaços escolares, é que temos tecnologia de boa qualidade, mas não ao alcance dos professores que dirá dos alunos. Se o professor leva seu lap top o wireless não funciona na escola. Cobramos adaptação às novas tecnologias, mas as mesmas são apenas enfeites longe de ser acessada para a construção do conhecimento do professor x aluno, mas para justificar que o governo oportuniza a inserção digital nas escolas, e a culpa é do professor que precisa ser capacitado, e que não se interessa em mudar a prática do cuspe e giz.
ResponderExcluirÉ alarmante perceber que a própria direção que deveria ser parceira nesta mudança, contribui para o atraso e inadequação das metodologias e desenvolvimentos que se pode alcançar com o uso das Tics.
IMPLICAÇÕES DO CONSTRUCIONISMO
ResponderExcluirNA MUDANÇA DA ESCOLA
A abordagem que usa o computador como meio para transmitir a informação ao aluno mantém a prática pedagógica vigente. Na verdade, o computador está sendo usado para informatizar os processos de ensino que já existem. Isso tem facilitado a implantação do computador na escola, pois não quebra a dinâmica por ela adotada.
Além disso, não exige muito investimento na formação do professor. Para ser capaz de usar o computador nessa abordagem basta ser treinado nas técnicas de uso de cada software. No entanto, os resultados em termos da adequação dessa abordagem no preparo de cidadãos capazes de enfrentar as mudanças que a sociedade está passando são questionáveis. Tanto o ensino tradicional quanto sua informatização preparam um profissional obsoleto.
Por outro lado, o uso do computador na criação de ambientes de aprendizagem que enfatizam a construção do conhecimento apresenta enormes desafios. Primeiro, implica em entender o computador como uma nova maneira de representar o conhecimento. Segundo, requer a análise cuidadosa do que significa ensinar e aprender, bem como demanda rever o papel do professor nesse contexto. Terceiro, a formação desse professor envolve muito mais do que prover o professor com conhecimentos sobre computadores. O preparo do professor não pode ser uma simples oportunidade para passar informações, mas deve propiciar a vivência de uma experiência. É o contexto da escola, a prática dos professores e a presença dos seus alunos que determinam o que deve ser abordado nos curso de formação. Assim o processo de formação deve oferecer condições para o professor construir conhecimento sobre as técnicas computacionais e entender por que e como integrar o computador na sua prática pedagógica.
Além disso, a mudança na escola envolve muito mais do que formar o professor. Mudanças na formação deste profissional não podem ser vistas como único fator desencadeador de mudança na escola como um todo. Outros aspectos também devem ser revistos, tais como: a forma como o currículo afeta o desempenho do professor e a maneira como a gestão escolar interfere na sala de aula. É necessário que os elementos atuantes na escola - alunos, professores, administradores e pais - sejam capazes de superar barreiras de ordem pessoal, administrativa e pedagógica, com o objetivo de ultrapassar uma visão fragmentada de ensino a fim de alcançar uma concepção interdisciplinar voltada para o desenvolvimento de projetos específicos de interesse dos alunos e da comunidade. Além disso, a escola deve criar condições para que o aluno saiba recontextualizar o aprendizado, integrar a experiência vivenciada na sua formação com a sua realidade de vida, compreendendo suas potencialidades e compatibilizando-as com os objetivos profissionais que pretende alcançar.
Portanto, os desafios na implementação do computador na escola, objetivando uma mudança educacional são enormes. No entanto, se eles não forem atacados corremos o risco de perpetuarmos uma escola que já é obsoleta. Só que agora, ela será obsoleta porém, usando a informática.
José A. Valente
NIED-UNICAMP e CED-PUCSP
Olá pessoal.
ResponderExcluirDentre tantas outras referências consultadas segue umas como dica:
FAGUNDES, L., SATO, L. e MAÇADA, D. (1999) Aprendizes do futuro: as inovações já
começaram! Coleção Informática para a mudança na educação. Secretaria de Educação
à Distância, MEC, MCT, Governo Federal.
MORAES, Maria Cândido. O paradigma educacional emergente. 9. ed. São Paulo:
Campinas: Papirus, 2003.
OLIVEIRA, Celina Couto de. Ambientes informatizados de aprendizagem: produção e
avaliação de software educativo. São Paulo, Campinas: Papirus, 2001.
VALENTE, J. A. e FREIRE, F. M. P. Aprendendo para a vida: os computadores na sala de
aula. São Paulo: Cortez, 2001.
outras mais:
ARRIADA, M. C. Aprendizagem cooperativa apoiada por computador: aspectos técnicos e
educacionais. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: UFSC, 2001.
D´AGORD, M. “A função de ativação de aprendizagem: o professor aprendente”, 2000,
[http://cursoead.proinfo.mec.gov.br] 15/03/2001.
HERNÁNDEZ, Fernando. A organização do currículo por projetos de trabalho: o
conhecimento é um caleidoscópio. 5.ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.
JONASSEN, D. O uso das tecnologias na educação a distância e a aprendizagem
construtivista. Em Aberto, Brasília, ano 16, n. 70, abr/jun. 1996.
KRÜGER, H. Informática educativa e metacognição. Congresso Internacional de LOGO.
Petrópolis, 1993.
LEITE, L. e outros (1992) Piaget e a escola de Genebra. 2.ed. São Paulo: Cortez.
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
LÉVY, P. A Inteligência coletiva: para uma antropologia do ciberespaço. Lisboa: Instituto
Quando pensamos em projetos, é preciso segundo Hernandez, pensar que :
ResponderExcluir"O modelo propõe que o docente abandone o papel de "transmissor de conteúdos" para se transformar num pesquisador. O aluno, por sua vez, passa de receptor passivo a sujeito do processo. É importante entender que não há um método a seguir, mas uma série de condições a respeitar. O primeiro passo é determinar um assunto — a escolha pode ser feita partindo de uma sugestão do mestre ou da garotada. "Todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre o assunto", A diferença fundamental é, em primeiro lugar, o contexto histórico. A pedagogia de projetos surge nos anos 1920 e projeto de trabalho surge nos anos 1980. Além disso, os princípios são diferentes. A pedagogia de projetos trabalhava um modelo fordista, que preparava as crianças apenas para o trabalho em uma fábrica, sem incorporar aspectos da realidade cotidiana dentro da escola. Os projetos de trabalho tentam uma aproximação da escola com o aluno e se vinculam muito à pesquisa sobre algo emergente. Eu não digo que uma coisa é melhor que outra e sim que são diferentes. É importante que isso fique claro."
Precisamos estar aberto as novas possibilidade, já que vivemos uma era digital onde a mudança é constante, a buscar novas perspectivas de ação para um bom desempenho do nosso trabalho.